Gratidão

4 de fevereiro de 2017 § Deixe um comentário

Somos dados à luz e assim se renova sempre a verdade da dádiva.

E se o Sol então beija meu rosto, posso eu aquecer o Sol?
E se o mar me batiza, que são minhas mãos para benzer o mar?
E se me ponho de pé sobre a pedra, como poderia eu fundamentar a pedra?
E se o numinoso profere o sopro e me distingue da pedra, que pode meu sopro face ao numinoso?

Nada.
De coração sei aceitar os presentes.
E agradecer.

Aí está então a verdade da dádiva: não se inverte em dívida, se verte em gratidão.

Um dia me ajoelhei na praia, ondas pelas coxas, ao lado de meu pai, para erguer os braços e saudar o Sol. Isto foi viver e este caminho ainda ando.

E se um dia estendo a mão a alguém, que me deve este alguém além de agarrar a minha mão?

Imputar dívida é revogar a dádiva. Imputar-se dívida é renegar a gratidão.

O gesto devedor está aprisionado ao pagamento.
Porque a dívida, assim como a vingança, se dá na fissura e converte graça em praga. Saldá-la é livrar-se do outro.
Enquanto a gratidão, assim como o perdão, acontece não de um para o outro, não em um e não no outro, mas no vínculo.

A gratidão liberta.
Só o grato é magnânimo para o gesto que se compensa em seu próprio efeito: a dádiva.

Em viver o presente e preparar o meu fim, saúdo sol, pedra, água, ar.
De manhã me levanto e me alimento, penso que minha mãe sorri.

E que pode a luz dar à mãe?

(São Paulo, 4 de Fevereiro de 2017)

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São Salvador

5 de janeiro de 2014 § 4 Comentários

Às vezes me inspiro pra escrever umas coisas e Caetano já escreveu. Dessa vez ele foi mais rápido por pouco. Publicou hoje no Globo“Mais do que quase nunca, estou sentindo aquele antigo bem de estar na Bahia que reencontro tão puro em meu filho Moreno. É uma gratidão infinita por simplesmente estarmos aqui.”

Faz já alguns anos que só viajo pra rever a Bahia, mesmo que seja em Portugal. Sempre me deixa um tanto sem palavras: minha Terra não é objeto do meu saber, não a disseco, não a domino, porque estou e sou sempre alguém dentro dela. A Bahia é o meu Deus incompreensível, maior que eu, que me contém. Trago estrangeiros e procuro em seus olhares alguma explicação, entramos na Igreja do Bonfim, mansão da misericórdia, sagrada colina, não há explicação.

Na primeira hora de janeiro de 2014, dois senhores de 70 anos são senhores do palco e de 70 mil pessoas na Praça Cayru. Começam Olodum (avisa lá), depois Filhos de Gandhi. São gestos que dizem: a Bahia é maior que eles dois e os contém, mesmo eles que têm tanto mérito pela grandeza desta terra. Caetano e Gil estavam inteiros – as vozes fortes que me fizeram falta em seus últimos concertos em Sampa – o povo na praça correspondia a essa força estranha. Caetano vai e volta do palco, feliz, “Gostei muito aqui”. Depois de uns axés e reggaes que Gil tocou pra nos alegrar, Caetano volta com o violão para tocar, solo, belas canções. A banda deixa o palco para este momento, mas Gil fica, longe do holofote, sentado ao lado da bateria, abraçado ao seu violão. Vez ou outra canta junto baixinho para si, dança um pouco sem sair do lugar, ao final das canções aplaude. Um amigo olhando o outro cantar.

Gil sendo baiano, sendo Gil. Tão bonito, tão simples. Sinto uma gratidão infinita por ter estado lá.

 

E Agora? Lembra-me

30 de outubro de 2013 § Deixe um comentário

Assisti agora na mostra este belíssimo filme-ensaio do diretor português Joaquim Pinto, feito com uma colaboração extensa de seu marido Nuno Leonel. Como a própria voz-over do diretor anuncia logo no começo, o filme é um caderno de anotações feitas ao longo de um ano em que ele se submeteu a um tratamento-teste para HIV e Hepatite C – com que ele luta há cerca de 20 anos. Isto se desenrola numa grande colagem de memórias, arquivo pessoal, passeios, conversas coisas naturais da vida, como comer e caminhar e depoimentos diretos à câmera.

O tratamento é intenso, as drogas alteram o funcionamento de seu corpo e de sua mente e isto aparece diversas vezes ao longo dos 164 minutos de filme. Passamos por muitos assuntos: HIV, epidemias virais, doenças venéreas, a crise e a saúde pública na Europa, questões LGBT, cristianismo novo e velho testamento, amor e amores.  Mas o que fica é a reflexão lúcida de uma pessoa que sente fisicamente a própria mortalidade. O Ser então aproxima-se do encontro final com a consciência do ser. A cosmogonia deste encontro traz à tona sensibilidades especiais.

“Preciso parar de ler para estar aqui”, ele diz antes de nos mostrar um longo plano de uma libélula se apoiando num pequeno galho. O olhar de uma câmera digital tentando encontrar o ponto de foco, enquadrando de várias maneiras. A libélula voa, mas volta para que prossigamos com a apreciação. Dessa vez o cineasta não fala, mas quase posso senti-lo dizer: “pode ser que eu nunca mais veja uma libélula nesta vida.”

É muito da sensibilidade portuguesa que tanto me encanta: imagens-saudade (Deleuze me permita acrescentar, já que ele não falava português). Coisas que  vivemos diariamente, a vista da nossa janela, os cachorros, os barulhos das pessoas que amamos. A primeira frase que ele diz no filme é algo parecido com “Minha vida é uma vida sem eventos”, porque no fim só a rotina é capaz de carregar a leveza da existência, amor é constância.

O final do filme sugere continuidade. Um carro na estrada, mais uma viagem à casa nos Açores. Enquanto passam os créditos, o carro passa por um caminhão de galinhas. Uma ironia (também do bom humor português) ligada ao comentário que ele faz no meio do filme sobre o fato de que várias epidemias de vírus são consequências da domesticação de animais. Antes disso, são várias as passagens dessa colagem que soam como despedidas e várias vezes o filme parece estar chegando ao fim, mas a luz do projetor volta à tela, Joaquim abre os olhos para mais um dia. Será a surpresa dele parecida com a nossa?

Felizmente ele está aí para receber os prêmios que este filme levou, e há de fazer ainda outros.


Adendo com Spoiler:

André Bazin escreve no artigo “Morte todas as tardes” (publicada numa Cahier du Cinema em 1951) que havia dois tipos de imagens que seriam obscenas e não deveriam ser mostradas no cinema documental: o momento da morte e o momento do orgasmo. Por serem momentos únicos e irreversíveis na vida, eles não podem ser fantasmagoricamente reproduzidos pelo aparato do cinema. “E agora? Lembra-me” é um filme que circula o tempo todo em torno da idéia da mortalidade do seu autor – levando ao ápice a idéia Barthesiana de que ser fotografado é ter a certeza da morte – mas ele vai para o outro lado da moeda e mostra uma cena de sexo entre Joaquim e Nuno. A cena é feita com pouca luz, provavelmente uma luz produzida, e obviamente os dois sabem o que estão fazendo então há uma certa dose de encenação. Há cortes então não sei dizer com certeza se o momento do orgasmo está presente ali, mas fica esta questão para se pensar. Certamente não é coincidência.

Somos tão jovens

8 de maio de 2013 § Deixe um comentário

Fui sozinho ver o filme que conta a história de Renato Russo pré-Legião (ou até-Legião). Eu e todo mundo eu conheço escutamos demais Legião Urbana quando éramos um tanto mais jovens do que somos hoje (mas ainda tão jovens!). Faz parte da formação cultural e espiritual da nossa geração (embora muita gente a essa altura tenha se esquecido que é preciso amar).

Não quero entrar em muitos detalhes sobre o filme, porque honestamente não há muito o que dizer, o filme é bobo, bobinho de dar dó – o roteiro é meio Malhação demais, muito contar em vez de mostrar, muitas pequenas espertezas colocando umas referências às letras pouco antes delas aparecerem, fazendo parecer (como aliás é comum nesse tipo de filme) que a criação é uma coisa fácil e automática, etc…

Mas mesmo assim o filme me divertiu e me emocionou. Alguns apelos às minhas memórias de adolescente, às minhas aspirações e planos de agora, a identificação com um personagem que é tão importante. Aliás, um personagem que é construído bem daquele jeitinho dos manuais de roteiro de Robert Mckee e Syd Field. E esses manuais não são escritos à toa.

Sendo assim, temos uma exemplar trama em 3 atos na relação entre Renato Russo e Aninha, sua melhor amiga, que é apresentada como inspiração para Ainda É Cedo. Não desacredito a importância que essa moça pode ter tido na vida dele, mas acho que o maior pecado do filme é essa relação. Parece querer conduzir o público para torcer pelo casal, assim como a família conservadora dele. Todo mundo sabe que Renato Russo era bissexual, mais pro Homo que pro Hetero, mas o filme só mostra beijos entre ele e Aninha. As relações com homens ele só sugere, atiça, mas beijo não tem. Será que a essa altura da vida ele não tinha beijado um homem ainda? Duvido muito. Então não vejo motivo pra essa pudicidade. Não adianta dar a desculpa que um beijo gay seria chocante para grande parte do público ou que afetaria a classificação indicativa do filme, esse tempo já passou. Ver um artista compactuando com esse conservadorismo é uma tristeza e depois de Cazuza (o filme) isso é um retrocesso sem tamanho.

Mas pra não terminar falando mal, duas coisas: 1. A representação de Herbert Vianna está muito engraçada, uma das coisas mais divertidas que vi no filme. 2. O melhor momento da direção é quando Renato Russo vai se declarar pro guitarrista do Aborto Elétrico, ao pé da sua janela e depois de ser rejeitado ele aparece num lugar rigorosamente igual, só que agora embaixo da janela de Aninha. Minha primeira impressão foi que tinha acontecido um erro de (des)continuidade, mas depois entendi: em Brasília todos os prédios são iguais! Ele podia ter escapado disso mudando o ângulo da câmera ou procurando um lugar diferente, mas teve a sensibilidade para ironizar o tédio de Brasília de um jeitinho genial.

Prosas

9 de abril de 2013 § Deixe um comentário

Conheci a prosa de José Agrippino de Paula em Panamérica. Um livro que eu comprei fazia mais de 5 anos por causa de um elogio de Caetano Veloso, mas que não tinha conseguido ler. Era indigerível. Mas uns meses atrás, consegui. É uma prosa-metralhadora e uma prosa-câmera-gatilho. Só há descrições de ações, nunca um sentimento, nunca uma conversa interior, nunca nada que não seja objetivo. E no entanto é uma narrativa fantástica. O que ele fez foi tomar as estrelas do nosso ocidente como personagens míticos. Marilyn Monroe, Joe Di Maggio, Harpo Marx, Che Guevara, donos de grandes estúdios de cinema, José Agrippino lhes escreveu lendas.

Agora estou lendo o Deus da Chuva e da Morte, de Jorge Mautner mas também por indicação de Caetano. Estou ainda começando. A prosa é mais fluida e emocionada, cheia de adjetivos, de percepções, de fluxos da consciência. Mas guarda em comum com Panamérica um certo tipo de caos, inconsequência, imaginação. Os capítulos, ao que parece, são independentes. Também deles se extrai um tom lendário, mítico. Sempre que estou lendo tenho a sensação de estar em contato com uma grande sabedoria.

Daquele Instante em Diante

8 de fevereiro de 2013 § 6 Comentários

No meu processo de aceitação da minha condição de habitante de São Paulo, umas das coisas importantes tem sido ouvir uns discos de Itamar Assumpção, que por sua vez veio do Paraná. Posso dizer que aos poucos, ao longo da obra, fui conhecendo um pouco do seu coração de poeta e compositor e me senti próximo deste coração.

Assisti hoje Daquele Instante em Diante, documentário dirigido por Rogério Velloso. Está disponível na íntegra no site: http://daqueleinstanteemdiante.blogspot.com.br/

Daquele Instante em Diante

Daquele Instante em Diante

É um filme importante que trouxe para mim muita coisa que eu não conhecia sobre sua vida e obra, coisas que, acredito, ainda vão reberberar em mim por muito tempo antes que eu chegue perto de compreendê-las.

Mas é muito além de tudo um filme de Saudade. Particularmente para mim, que tenho trabalhado com uma montagem de ritmo televisivo, é lindo poder ver as pausas que as pessoas fazem nas suas falas, suas expressões depois que já falaram – raramente os depoimentos são cobertos com imagens de arquivo, como de praxe nesse tipo de filme panegírico – porque é um documentário não só da memória de Itamar Assumpção, mas é principalmente um documentário do momento da rememoração.

O coração está lá.

“No”

17 de janeiro de 2013 § Deixe um comentário

Vou contar o fim do filme, quem não quer saber pode parar de ler aqui.

É muito interessante ver o que um bom diretor faz com uma grande história. No podia ser mais um filme que conta a trajetória de um herói e sua missão, com os sub-plots e tudo mais – já estaria de muito bom tamanho só pela importância que teve a campanha. Mas ele vai muito mais longe. Além da câmera na mão, que é muito bom quando bem feito e da fotografia instagram, que é muito bonita; além da montagem descontínua livre que eu também adoro e pratico, o melhor do filme é sem dúvida Gael García Bernal.

1. Antes de qualquer coisa Gael García/René Saavedra anuncia algo assim: “O que vocês vão ver em seguida está de acordo com a realidade socio-cultural da atualidade. Creio que o povo chileno está preparado para ver isso. O Chile de hoje é um país que olha para o futuro”. E em seguida aperta o play num VHS que é um comercial de refrigerante com cortes rápidos e pessoas felizes. Mas é óbvio que ele está falando não do comercial, mas do próprio filme que vamos assistir.

2. Ao longo do filme René nunca me pareceu muito engajado em derrubar a ditadura de Pinochet senão por motivos estritamente pessoais. Ele parece também motivado pela própria adrenalina da coisa, pelo desafio em si, pela possibilidade de se provar um grande e genial marketeiro. A desconexão dele com a comunidade em que ele vive, com a questão política, com a luta de classes (que aparece numa cena engraçada em que ele chama os seus clientes de comunistas e eles respondem “Socialistas!” em uníssono), essa desconexão é a raiz da experiência trágica do filme.

Eu não consigo me controlar e associo sempre minhas leituras do momento a tudo que vejo. Segue uma citação do Tragédia Moderna escrito em 1966 que tem uma relação clara com filme de 2012 que fala de eventos de 1988. Isso tudo está entre as páginas 108 e 109 da edição de 2011 da Cosac Naify:

“Estamos, em algumas sociedades ocidentais, engajados na tentativa de realizar essa revolução total sem o uso de violência, por meio de um processo de argumentação e consenso. É impossível dizer se teremos êxito. A obstrução da humanidade, em muitos grupos de indivíduos, é ainda aguda e parece frequentemente obstinada e ingovernável. Ao mesmo tempo, enquanto o processo tiver qualquer chance de sucesso, ninguém em seu juízo normal desejará alterar a sua natureza. A real dificuldade, todavia, é que nos voltamos para nós mesmos dentro desse processo, numa espécie conhecida de pensamento típica do Atlântico Norte e as ilusões que isso cria já são de uma natureza trágica.
(…)
(…) É fácil percorrer a nossa sociedade comparativamente pacífica repetindo frases como ‘uma revolução por meio do justo andamento da lei’ – simplesmente deixando de notar que em nosso nome e endossado pelas maiorias, de forma reincidente, outros povos (e outras camadas sociais dentro da nossa própria sociedade – nota do blogueiro) têm sido violentamente combatidos no próprio ato de sua libertação”

3.  O próprio filme já alerta para todo esse problema quando René ouve de quase todas as pessoas a seu redor que a direita fascista jamais armaria um plebiscito para perder, ou participar dessa campanha e aceitar o plebiscito, um presente de Pinochet, é o mesmo que legitimá-lo. E René vai aos poucos, de alguma maneira, se dando conta disso. Depois de declarada a vitória do “não”, ele caminha desiludido em torno dos seus aliados de campanha e depois no meio da multidão que festeja – ainda carregando seu filho da mesma forma que fez no meio de um confronto entre a polícia e a esquerda. Essa desilusão – que Gael encarna com grande maestria – aposto que não se atribui ao verdadeiro marketeiro do Não, mas apenas ao personagem do filme.

4. Tive a chance de visitar, no museu Reina Sofia em Madrid, uma exposição chamada “Da Revolta à Pós-Modernidade”, que dá bastante espaço para a arte da américa latina na relação com suas ditaduras entre as décadas de 60 e 80. Conforme caminhamos pela exposição vemos a transição de uma arte muito combativa para, nas salas finais, uma arte derrotada (tiro essa palavra, de memória, de um dos painéis explicativos do próprio museu, mas pode ser invenção minha), que a mim dizia algo como “fui lesado, fui maltratado, não fui retratado, aqui estou, aqui está meu corpo, estou ferido e não vou a lugar nenhum”. Comprei o catálogo dessa exposição para entender isso melhor, mas ainda estou pra ler.

Há ainda uma exposição temporária agora mesmo tratando do corpo na arte da américa latina nos anos 80. Chama-se Perder la forma humana.

Em No, Gúzman é o marketeiro do Sim e chefe de René numa agência de publicidade. Numa conversa entre os dois, René revela que existe dinheiro Norte-Americano na campanha do Não. Gúzman ri, jura de pé junto que os americanos estão do lado do golpe, que foram eles mesmos que o financiaram desde o princípio. Aconteceu que naquele ponto, os americanos já tinham mudado de estratégia. Me lembro de, adolescente, ouvir que o Chile era exemplo de país que, aliado dos Estados Unidos, tinha uma economia forte e próspera.

5. Depois de tudo, René e Gúzman estão de novo juntos. Ele é anunciado a clientes como o bem-sucedido marketeiro da campanha do Não e mostra mais uma esperta campanha publicitária, feita para uma novela de televisão – com estratégias que a Globo ainda usa para suas novelas até hoje. E é claro que estes acontecimentos no Chile têm relação direta com o que aconteceu aqui no Brasil no mesmo período. Tivemos uma transição suave da ditadura para a democracia, tão suave que muita gente que ocupava cargos importantes na ditadura ainda está na política e ainda passa o poder a seus filhos e netos como se o país lhes pertencesse, tão suave que muitos argumentos que os marketeiros de Pinochet usaram para sustentar o Sim foram usados aqui no Brasil para tentar impedir a eleição de Lula.

O medo era injustificado. E por isso, no fim do filme, Pinochet aparece simpaticamente passando a faixa de presidente ao seu sucessor democrático. Ele parece seguro de que a sua classe social não será afetada pela mudança. Isso está no discurso do filme e está no René de Gael, no seu rosto naquela caminhada da vitória. A sua desilusão é a desilusão da modernidade líquida, é a tragédia do homem na grécia antiga que não podia com a vontade dos Deuses, do homem de hoje que tem a sensação de nada poder contra contra A mão invisível da Economia de Mercado. O filme, assim como a história do fim das ditaduras na América Latina, é uma grande Tragédia Moderna.